Porque Zumbis fazem tanto sucesso?

Porque Zumbis fazem tanto sucesso?

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Você já notou como a temática zumbi consegue se adaptar a qualquer ambiente, tanto no sentido figurado quanto no real? Estamos falando do sucesso em livros, filmes, séries de TV, games, etc. Mas de onde vem toda essa fama? Porque será que somos tão interessados neste assunto? O que estas criaturas têm que nos intrigam a ponto de criarmos tantas obras relacionadas?

Para isso, acho que é preciso entender um pouco de sua origem e quem sabe conseguirmos criar algumas teorias.

E lá vem história

A origem de tudo

O zumbi é uma criatura fictícia que apareceu nos livros e na cultura popular tipicamente como um ser humano que foi trazido de volta dos mortos na forma de uma criatura irracional. Estas criaturas tem origem em crenças vodu afro-caribenhas, que contam histórias sobre trabalhadores controlados por um poderoso feiticeiro. Segundo estas crenças, uma pessoa morta pode ser revivida por um sacerdote ou feiticeiro, que permanece sob seu controle sem possuir vontade própria.

Mas a popularização dos zumbis veio em 1968 com o filme “Night of the Living Dead ” de George A. Romero . Na época o filme custou 114 mil dólares para ser produzido e faturou mais de 12 milhões domesticamente e 30 milhões internacionalmente. Apesar de não ter sido o primeiro filme de zumbi e ter recebido fortes críticas por trazer conteúdo explícito, “Night of the Living Dead ” foi o progenitor de um subgênero de filmes de terror chamado “apocalipse zumbi “, influenciando o arquétipo moderno do zumbi na cultura popular.

E desde então muitas obras foram feitas baseados neste modelo criado por George A. Romero , não ficando apenas nos filmes, mas também em livros, histórias em quadrinhos, séries de TV e principalmente nos games, onde possuem um imenso sucesso.

O inevitável domínio dos zumbis

Apocalipse zumbi é um gênero possui tanta força que por onde passa, deixa sua marca, seja na televisão, cinema ou nos jogos. Após anos dominando as telas de cinema, inevitavelmente teríamos este domínio estendido para os jogos eletrônicos.

É incrível ver como esta temática consegue se adaptar a qualquer enredo criado, quase como uma praga, ressuscitando jogos que por muitas vezes já estavam “mortos ” para o mercado. Um ótimo exemplo disso é DayZ, baseado em uma modificação para o Arma II , onde sua venda estava em forte declínio. Após o lançamento da modificação, as vendas do jogo subiram consideravelmente, pois todos queriam jogar este MOD, e para isso, era necessário ter o jogo original instalado.

DayZ é uma variação de um simulador de guerra. Seu criador pegou a atmosfera original e aplicou nela a temática apocalíptica, que foi um grande sucesso. Mas este não é o único jogo que realizou um “MIX “. Call o Duty , já em vários títulos, possui esta combinação, justamente com o intuito de estender a vida útil do game.

Claro que não podemos nos esquecer de jogos que nasceram puramente desta temática. Left 4 Dead foi um game de grande sucesso, desenvolvido pela Valve, onde seu objetivo era enfrentar a hordas quase infinitas de infectados. Dead Island , com uma proposta mais “sobrevivencialista “, colocava o jogador em uma ilha paradisíaca também com o objetivo de se manter vivo.

Mas o que faz este tema ser tão relevante para muitas pessoas? Com sucesso quase instantâneo onde passam, é tema de discussão em muitos sites, blogs e fóruns. E tais discussões sempre levantam teorias sobre tal sucesso.
Licença poética para matar

Alguns “filósofos ” gostam de pensar que a temática zumbi faz sucesso por causa do instinto natural do ser humano em ser “agressivo “, onde nossa própria história prova isso. O zumbi nada mais é do que a descaracterização da pessoa como ser humano, o transformando em uma criatura agressiva, sem direito a pensamentos, dor, emoções, guiada por instintos básicos de alimentação, após ser trazida da morte.

Esta descrição poderia tirar toda a culpa que uma pessoa teria ao assassinar outra, uma vez que ela já não faz mais parte como ser. A alteração dos alicerces da sociedade com a introdução destas criaturas iriam nos libertar da repressão imposta por um infinidade de regras restritivas e punitivas, onde tomar para si seria não só tolerado como necessário, simplificando nossa ideologia apenas a sobrevivência.

The Walking Dead Lee matando um zumbi

O cenário descrito acima, principalmente no que se refere a descaracterização da pessoa como ser humano, serviria como um caminho alternativo para jogos extremamente violentos, muito criticados hoje em dia, onde massacrar estas criaturas possui uma aceitação muito maior do que atirar em outra pessoa, ou animal, dentro de um jogo.

Com uma pressão muito menor da sociedade, os jogos de zumbi conseguem ser violentos, em sua maioria, dando vazão para esta agressividade reprimida, acumulando grande sucesso.

Exercitando o adormecido instinto de sobrevivência

Outra teoria interessante seria o fato dos zumbis despertarem em nós um instinto de sobrevivência a muito tempo adormecido, devido ao conforto da vida moderna. Podemos usar como embasamento o fato de muitas pessoas hoje em dia participarem de caçadas e pescarias para relembrar tempos em que sobreviver era uma questão de contar com suas próprias habilidades.

Geralmente em um holocausto zumbi, o funcionamento da sociedade é brutalmente modificado, colocando por terra todos os conceitos existentes, tendo como ótimo exemplo a série “The Walking Dead “, onde matar zumbis é justamente aquilo que deve ser evitado, uma vez que munição é um item muito escasso, priorizando conflitos pessoais que o grupo enfrenta em sua luta pela sobrevivência. Esta fórmula fez com que The Walking Dead virasse febre em muitos países, caindo no gosto dos tele-espectadores.

Com isso, a onda de jogos de zumbi acabou aumentando significativamente, alavancando a produção de novos títulos.

O jogo DayZ é uma das provas de que o sucesso dos zumbis pode vir sim do nosso instinto de sobrevivência. Sendo uma produção Indie , o desenvolvedor, contra todos os padrões impostos pelo mercado dos jogos, criou uma modificação para o simulador de guerra Arma II focada justamente na questão da sobrevivência, dando aos jogadores limitadas opções de armas, alimentos e água. Esta fórmula fez com que os próprios jogadores completassem a atmosfera do game, criando algo muito próximo do que é visto em “The Walking Dead “, onde zumbis não são seu único problema, pois outros jogadores, por estarem passando dificuldades, tendem a querer roubar seus itens.

A questão da sobrevivência foi algo que ganhou uma relevância tão grande que outros jogos em desenvolvimento também adotaram sua fórmula.

O alerta silencioso

Pegando carona no sucesso que os zumbis vem fazendo, muitas empresas e entidades não governamentais acabaram criando kits de sobrevivência e treinamentos para quando chegar a hora do holocausto.

Muitos acharam perda de tempo, outros um completo desperdício de energia, mas a verdade é que muitas pessoas se interessarem pelo kit e, de brincadeira ou não, acabaram por adotá-lo. Sem saber, esta brincadeira fez com que estas pessoas ficassem preparadas não só para este evento fictício, mas também para eventos reais, como tempestades, enchentes e tsunamis.

Itens de um kit básico de sobrevivência

A expansão da quantidade de obras tratando sobre este assunto fez com que o número de pessoas preparadas para esta hipotética ocorrência também aumentasse. Entre os esforços incluídos nestas preparações estão a criação de novas armas, distribuição de cartazes informando como sobreviver a este evento e até mesmo reuniões de organizações não governamentais dedicadas a administração de desastres, criando assim um movimento denominado “sobrevivencialismo “.

Os grupos de sobrevivencialismo

O sobrevivencialismo atua principalmente nos Estados Unidos e está ativamente se preparando para possíveis rupturas, seja de ordem social, regional ou internacional. Estas rupturas podem ser causadas por catástrofes naturais, pela humanidade, emergências sanitárias, como epidemias, e eventos apocalípticos inexplicáveis.

Entre os eventos inexplicáveis estão inclusos: invasões alienígenas, ira divina e é claro, apocalipse zumbi. Os sobrevivencialistas recebem treinamento de autodefesa e autossuficiência, aprendem a estocar água, comida e outros suprimentos. Também aprendem a construir estruturas que ajudarão a sobreviver e a desaparecer, ou seja, refúgios de sobrevivência ou abrigos subterrâneos.

Mulher se arrastando na lama em curso de sobrevivencialismo

O sobrevivencialismo, para alguns países é visto como uma coisa muito séria, tanto que o governo da Suíça, com seu sistema de milícia, é o mais preparado. Os Estados Unidos possuíam um programa que teve início na década de 50, mas que foi interrompido nos anos 70. Este programa incluía abrigos oficiais e exercícios de duck and cover nas escolas.

O que concluímos?

Saber definir o que os torna famosos e tão difícil quando saber como geralmente começa uma epidemia. E a onda dos zumbis já vem perdurando a algum tempo, onde não há indicativos de que ela possa vir a perder força.

Será que similar ao que acontece nas histórias, passaremos por um longo período de domínio destas criaturas, tendo a indústria do entretenimento eletrônico e a do cinema explorando cada oportunidade até não sobrar nenhuma boa história, ou é apenas uma modinha passageira, esperando apenas um novo vampiro adolescente que brilha no sol tomar o seu lugar?

Mas a pergunta mais importante de todas: Realmente queremos que isso acabe, ou assim está bom? Ótimas histórias, carnificina garantida nos games e muitas horas de terror nos cinemas.

Uma coisa eu sei: Ainda espero um survivor ideal, e com a produção de jogos Indie e novas ideias no mercado acredito que estamos mais perto daquilo que considero um bom jogo de sobrevivência, como comentei em A espera do survivor ideal.

About author
Giancarlo Rosa

Borgotchongo

Desenvolvedor WEB, ciclista, PCista (não sou fanboy, só acho que o PC é melhor que todas as outras plataformas), mas principalmente, aficionado por games, sou fundador do site JogandoAgora e também do GameIntro. Curto games com um bom enredo e também gosto de discutir (bater boca mesmo) com meus amigos sobre campanhas single player, e de vez em quando, ganhar algumas partidas multiplayer dos meus filhões, afinal de contas, humildade bem acima de tudo. Jogos preferidos: StarCraft 2, Xcom, Mass Effect, Gears of War, Battlefield.

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